(Português) Novembro Azul – Mês dedicado ao combate do Cancro da próstata

“Não se esconda atrás do seu preconceito! Cuidar da Saúde também é coisa de Homem!”

novembro-azul

O cancro da próstata é hoje um importante problema de saúde pública. É o 2.º cancro mais diagnosticado no homem, tratando-se, atualmente, da 4ª causa de morte por cancro no homem, nos países ocidentais, entre os quais Portugal. As causas não são claras e, se bem que as estratégias mais agressivas de diagnóstico precoce possam, em parte, justificar este aumento, não são de excluir outras causas associadas à alimentação, ao estilo de vida e o meio ambiente.
A incidência do cancro da próstata aumenta com a idade, ou seja não é uma doença do homem jovem. Contudo, tem-se assistido ao aparecimento desta neoplasia em idades cada vez mais precoces. É crescente o número de casos abaixo dos 50 anos, por isso muitos urologistas aconselham uma consulta regular/ rastreio a partir dos 40 anos.
As causas deste tipo de cancro continuam a ser desconhecidas. Para além da idade e da história familiar, outros factores podem ser muito importantes.

Diagnóstico do cancro da próstata

Geralmente o cancro da próstata desenvolve-se sem qualquer sintoma só se manifestando numa fase muito avançada (disseminada), já sem possibilidade de cura. Ao contrário do que a maioria das pessoas julga, raramente ocorrem sintomas urinários numa fase inicial. Na verdade, hoje em dia, 80% dos casos são diagnosticados por exames médicos de rotina realizados em indivíduos aparentemente saudáveis. Daí a importância do diagnóstico precoce, ou seja, numa fase de doença localizada à próstata, ainda sem sintomas, mas curável.
O diagnóstico é sugerido pela alteração de um dos seguintes exames:toque rectal, doseamento sanguíneo do PSA (antigénio específico da próstata) e ecografia prostática trans-rectal. O toque rectal é um exame muito fácil e simples, que consiste na palpação prostática digital (com o dedo), por via anal, o que pode fornecer importantes informações acerca do volume, consistência e limites prostáticos. Lamentavelmente alguns homens ainda atrasam a sua ida ao urologista com medo deste exame. O PSA é uma substância produzida pela próstata normal, mas cujos valores sanguíneos se elevam quando há doenças prostáticas, particularmente no caso de cancro da próstata. É importante salientar que uma elevação do PSA não significa necessariamente a existência de um cancro da próstata, embora seja necessário exclui-lo. A elevação do PSA ocorre em média até cinco anos antes da detecção de qualquer anomalia ao toque rectal. Finalmente, a ecografia prostática trans-rectal, embora não recomendada por todos os urologistas, oferece informações importantes, como a existência de nódulos prostáticos suspeitos, ou o compromisso dos limites da glândula.
Quando algum destes exames revela alterações que se tornam suspeitas, o diagnóstico de cancro deve ser confirmado através da realização de uma biópsia prostática. Trata-se de uma técnica que consiste na colheita de vários fragmentos de próstata, por via ecoguiada e trans-rectal, que são depois enviados para estudo histológico a fim de se verificar a existência, ou não de cancro.

Tratamento do cancro da próstata

O tratamento do cancro da próstata depende essencialmente de dois parâmetros: a idade do doente e a extensão do tumor.
Os doentes mais idosos, ou seja, com uma esperança de vida inferior a 10 anos, são habitualmente tratados apenas com hormonoterapia, isto é, com terapêutica de supressão hormonal. Esta supressão hormonal pode ser conseguida com castração cirúrgica (remoção dos testículos) ou química (com medicamentos que inibem a produção ou a actuação da testosterona). É um tipo de tratamento que actua apenas temporariamente (2 a 4 anos), mas que permite eventualmente a doentes desta idade morrer com o seu cancro e não do seu cancro.
Quando os doentes têm uma esperança de vida superior a 10 anos, ou seja mais jovens, o tratamento deve ter intuitos curativos, o que só é possível se a doença estiver localizada à próstata. Há apenas três tipos de tratamentos curativos para o cancro da próstata. Aquele considerado mais eficaz é a prostatectomia radical, que consiste na remoção cirúrgica da próstata e vesículas seminais. Em alternativa à cirurgia, alguns doentes optam por radioterapia externa, método com menor compromisso da função sexual e sem repercussões na continência urinária, mas com taxas de cura inferiores às da cirurgia e não desprovido de efeitos secundários importantes e igualmente incapacitantes. Recentemente foi introduzido um terceiro tipo de tratamento, a braquiterapia prostática, uma forma de radioterapia intersticial, que consiste na introdução de sementes radioactivas na próstata sob anestesia. Trata-se de um método que demonstrou taxas de cura sobreponíveis às da prostatectomia radical, nos cancros bem diferenciados, mas com muito menos efeitos secundários, pelo que é cada vez mais o preferido pelos doentes.
Os doentes com doença metastática (quando o cancro se espalhou para outras áreas do corpo) são tratados com hormonoterapia. A terapêutica hormonal, embora não curativa, pode levar a uma remissão de longa duração, permitindo uma excelente qualidade de vida. Contudo, com o tempo, o cancro da próstata pode progredir apesar da terapêutica hormonal. Não se sabe bem porque é que isto acontece, mas evolui para um estado designado por cancro da próstata hormono-resistente, no qual cerca de 70% dos doentes apresentam metastização óssea. No entanto, a investigação recente nesta área tem feito grandes progressos, motivando um renovado optimismo. Nos últimos anos surgiram alguns importantes novos tratamentos, desenhando novos caminhos no tratamento destes doentes hormono-resistentes e metastizados.
Uma das áreas mais fascinantes no cancro da próstata é a da quimioprevenção, que consiste na administração regular de substâncias químicas, naturais ou sintéticas, com o intuito de prevenir o aparecimento e desenvovimento do cancro da próstata. Alguns produtos naturais como os licopenos (abundantes no tomate), os fitosteróides (abundantes na soja), o selénio, ou as vitaminas A e D, têm mostrado resultados promissores.

Concluindo, apesar do cancro da próstata ser muito frequente, dispomos hoje de muitas alternativas terapêuticas, mesmo nas fases mais avançadas da doença, que permitem ao doente com cancro da próstata olhar para o futuro com esperança.

O mais importante é estar esclarecido e apostar na prevenção.

Publicado en: Uncategorized